A história,a cultura e a vida de personagens do interior de Teresópolis, uma cidadezinha nas montanhas do estado do Rio de Janeiro.
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domingo, 3 de agosto de 2014
domingo, 20 de julho de 2014
Caloroso aperto de mão
Vemos nesta
foto o saudoso Juscelino Kubitschek cumprimentando um ilustre morador de
Bonsucesso, Coriolando Dias da Rosa, em uma feira de hortifrutigranjeiro na
década de 1950, onde do lado esquerdo ao alto está escrito: Representante de
legumes de Bonsucesso.
Contando um
pouco a história desse personagem, Coriolando, foi agricultor, caminhoneiro,
viajou muito pelo Brasil, conhecedor muito hábil das culturas de hortaliças em geral. Foi o segundo
transportador de legumes e Praça XV, Madureira e Ceasa. Na década de 1950 foi o
grande agricultor de couve-flor. Natural de Bonsucesso, veio residir em Vieira
_ onde viveu seus últimos dias. Filho de João Dias da Rosa Júnior e Laudelina
Gallo Rosa. Casado com Dinorá e quando viajava com seus carros de transporte,
toda lavoura ficava sobre a administração de sua esposa. Teve uma formação
escolar no Colégio Modelo de Nova Friburgo. Homem calmo e sereno fez muitos
trabalhos de incentivos para o transporte de legumes.
Nesta
segunda foto, na década de 1950, no dia de seu casamento, onde em primeira
linha ao fundo está seu sogro Calixto, sua sogra Araci, Laudelina, sua mãe, e
João Dias da Rosa Júnior, o casal recém-casado, Dinorá e Coriolando.
Este senhor
fez uma bela história de vida com trabalho e amizade; deixando muitos
descendentes e exemplos de vida.
O Clarinete de Ouro _ Fábio Canto
Na frente Fábio Canto, de
óculos Valito Canto, na coluna de trás Flávio Canto, Carlinho , Cinésio Cardoso
e amigo.
Nascido em Vieira, viveu e foi comerciante por alguns
anos no centro desse local. Comercializou legumes, transportando para a praça
XV e Madureira, na cidade do Rio de Janeiro. Mas o que alegrava muito aquele homem bom era tocar o seu famoso clarinete. Nas festas
e eventos em geral era convidado para exibir e alegrar com suas músicas. Muitos
bares da nossa região nos anos de 1950 e 1960. Ele fez a alegria do povo.
Era
membro da Pena de Ouro em Bonsucesso, reduto tradicional da família Canto. Na
década de 1960 mudou-se para Teresópolis; aonde veio residir no Vale do
Paraíso; permanecendo muitos anos nesse local. Casado com dona Nide, filha do
Zeferino Garcia de Queiroz, tradicional de Vieira e do terceiro distrito. Durante
muitos anos Fábio Canto com sua habilidade musical nos bares, nas festas, nos
aniversários, fez a alegria do povo. Aqui vai a homenagem em memória de muitos
admiradores de Fabinho Canto _ o clarineta de ouro. Quem alegra o povo nunca será esquecido _ o
clarineta de ouro.sábado, 15 de junho de 2013
Anfrísio Pedro da Costa
Anfrísio
e sua esposa em Aparecida do Norte, década de 1960.
Falando de Vieira,
agora mais um ilustre descendente dessa terra: Anfrísio Pedro da
Costa _ quem foi?
Nascido em 1902, no 2°
distrito de Teresópolis, Vargem Grande; filho de Manoel Pedro da
Costa e Florentina Garcia de Queiroz. Estava com dois anos de idade
quando seu pai ateou fogo na sua residência, estava ele no berço
quando foi salvo pelo seu avô materno, Manoel Garcia de Queiroz.
Esse deslize mental de seu pai mudou seu rumo de vida para residir em
Vieira e fazer sua história. Nesse local, aos vinte e seis anos,
casou-se com sua prima de primeiro grau, Maria Garcia de Queiroz
Sobrinha, filha de Virgílio Garcia de Queiroz.
Era a década de 1920,
nesses anos de 1928/29, foram abertas diversas estradas na base da
enxada, entre a principal a Friburgo-Teresópolis. Hoje RJ 130. O
primeiro carro a trafegar após a inauguração, fora no seu
casamento, ali no 3° distrito. Iniciou nessa localidade a sua luta
de lavrador e negociante de gado e terras.
Hábil, inteligente
negociante, corretor, podemos afirmar que foi um dos importantes
moradores dessa região que deu impulso e desenvolvimento nesse
local. Muitos lotes foram negociados e vendidos para pessoas que aqui
vieram a residir, que ilustraram e deram impulso a esse distrito.
Foram muitas as lavouras plantadas e cultivadas por sua
administração, entre as quais: batata inglesa, feijão, milho e um
pouco de marmelo, já em fins de épocas.
Falando desse senhor,
queremos dizer que em Vieira deixou sua marca através de seus
descendentes, que são muitos. Todos preservando e enaltecendo sua
memória de empreendedor, desbravador e incentivador da região.
Na década de 1930,
passando por aqui um casal de suíços, com a intenção de adquirir
terras para a construção de um hotel, foram influenciados a comprar
em Vieira uma grande área de terra através de sua estimável
habilidade de vendedor.
Anfrísio Pedro da
Costa foi negociante, agricultor, conselheiro. Durante muitos anos
teve patente de comissário com autoridade de delegado, mas sempre
escondeu essa patente por motivo de achar que não seria bem-vindo.
Somente foi declarado após seu falecimento. Nem seus filhos eram
informados de tal documento como autoridade civil, nomeado. Foi um
grande incentivador e presidente do Vieira Futebol Clube. Ajudou sua
comunidade a construir a antiga Igreja de Santa Luzia na década de
1930. Foram inúmeras ajudas nesse local, poderíamos citar muitas
outras, mas o que falamos já um pouco para relatar de sua trajetória
nesse local. Anfrísio Pedro da Costa, também descendente direto dos
Garcia de Queiroz, que fez sua história bonita e com sucesso e
deixou uma bonita história de vida.
Fotografia
dos anos de 1940. Anfrísio, sua esposa e um dos filhos.
Luís Mico
No ano de 1846 nascia Luís Mico, um negrinho que foi ganho de
presente pelo senhor Jacinto Garcia de Queiroz. Esse negrinho que foi
criado pelo seu senhor como da família. Arranjaram-no uma ama de
leite que o amamentou e o fez crescer. Dormia no canto da cama do
então poderoso senhor dos escravos.
O tempo foi passando e o Luís Mico foi ficando um belo negro
esbelto, forte e ativo. Não era tratado como escravo; era
pau-pra-toda-obra do seu senhor. Naquela época de 1866, já era
requisitado para ser reprodutor, por ser um negro esbelto, forte e de
canela fina. Alguém até manifestava o desejo de comprá-lo, mas
nunca estava à venda.
Com apenas um chamado ali estava o Luís para fazer todas as tarefas
que lhe eram incumbidas. Anos passaram e a idade do seu senhor
mostraria o seu cansaço, e cada vez mais o Luís se dedicava ao seu
pai branco e senhor. Nos fins de semana o Lúís, com os seus vinte e
dois anos, era liberado para dar seus passeios nas outras senzalas
por aquelas regiões ali existentes. Apresentava-se muito bem vestido
e calçado, parecendo um príncipe negro. Era recebido com toda
hospitalidade e carinho. Sua juventude o ajudava nas suas conquistas
amorosas e por isso deixou muitos descendentes, que eram chamados
pelos meus tios avós de irmãos, e que na década de 1950 fui
testemunha ocular ao conhecer diversos filhos e descendentes já bem
idosos; dentre os quais Madalena, Aninha, Fostino, Leopoldino e
tantos outros.
Quero ressaltar que a escravidão foi um fato consumado vergonhoso,
covarde, triste e doloroso. mas nem todos os senhores eram carrascos
assassinos dos negros tão sofridos. Alguns tinham atos de humanismo,
fraternidade, respeito e amizade; e o senhor dessa família Garcia de
Queiroz deixou uma história a ser transmitida aos seus descendentes,
falada por muitos anos da sua bondade e tolerância.
Retornando à história, como relatei, o tempo foi passando e Luís
nunca havia levado uma chibatada, somente era chamado para fazer seus
serviços normalmente. Numa certa ocasião, o seu senhor,
aprontando-se para uma longa viagem, exclamou:
_Lúís, vamos viajar alguns dias, prepare os burros e todos os
pertences necessários que vamos sair bem cedinho amanhã
E assim foi feita toda a arrumação da viagem.
Já nessa época o senhor estava mais ou menos com 66 ou 67 anos de
idade, dependendo de mais ajuda e atenção.
No dia seguinte partiram da localidade de Vieira para seu destino
planejado.
Viajando o dia inteiro, percorrido aproximadamente cinquenta
quilômetros, chegaram à tardinha em uma fazenda de muitos escravos
conhecida no município de Nova Friburgo. Estavam cansados e o senhor
foi dizendo:
_Luís, você vai ficar na senzala que eu dormirei na casa do amigo.
E assim se fez o desejado como era de costume naquela época de
escravidão.
O senhor alertou o jovem Luís:
_Amanhã me acorde cedo com os animais já arriados, prontos para
prosseguirmos a viagem. Não se esqueça.
_Sim, senhor, estarei pronto.
Ficando à noite na senzala, Luís entrou na comemoração de dia de
santo que era festejado.
Ao amanhecer o dia, já lá pelas oito horas da manhã, o senhor
percebeu que o Luís não teria feito o seu pedido. Perdeu sua hora
de levantar e em vez de o Luís acordar o senhor, foi o senhor que
foi acordar o Luís. Chegando à senzala o senhor
perguntou:
perguntou:
_Perdeu a hora, Luís? Cadê os cavalos arriados?
Descendente de Luís Mico
Então o Luís saiu correndo para pegar os animais e fazer o
prometido. Partiram novamente seguindo o rumo desejado; mas o Luís
sempre com sono cambaleando em cima do animal. Quando chegava numa
porteira, Luís com muito sono, por ter dançado a noite inteira, o
senhor que o chamava para abrir a porteira. E foi durante todo o
percurso daquele dia que o senhor teve que o chamar para abrir as
porteiras.
Lá pela quinta porteira o nervosismo tomou conta do seu senhor, e o
Luís cambaleando em cima do cavalo. O senhor falou rigorosamente:
_Já não te falei, Luís? Presta atenção! _ e o senhor lhe deu uma
chibatada.
Aquele ocorrido mudou o rumo da história para quem deu a chibatada e
para quem levou. Os dois começaram a chorar pelo fato ocorrido. O
Luís disse:
_Desculpe! Isso não vai mais acontecer! Estou muito errado com o
senhorzinho.
_Perdoe-me, Luís! Perdi a cabeça com você. Não irei mais repetir
tal arrogância.
Aquele momento foi um marco onde mostrou o amor, o respeito e
consideração um pelo outro, embora de uma maneira um pouco
trágica... Assim era naquela época.
Neste relato que quando criança ouviu falar, após quase sessenta
anos, quero dizer que Deus fez o homem negro, branco e a ele deu o
direito de escolher seu destino; mas que seja de uma maneira passiva
e bondosa, fazendo um mundo melhor.
Poucos anos depois do acontecido o senhor Queiroz morreu e o negro
Luís Daniel viveu por muitos anos e deixou uma grande descendência
em Vieira, Bonsucesso e diversos distritos de Teresópolis e
Friburgo. Aqui foi copiado o dia do seu sepultamento, o apelidado
Luís Mico. Este relato é um recibo desse dia:
“Leopoldino
Luís Daniel pagou a quantia de dezesseis mil réis do enterro de seu
pai Luís Daniel com noventa e seis anos de idade, falecido em 2 de
dezembro de 1942.”
naquela época.
Como surgiu o Hotel São Moritz
Quando nos anos de
1930, a Segunda Grande Guerra já destruía a Europa, o suíço
Arthur Vogts e sua esposa Martha viajavam de Nova Friburgo para
Teresópolis por uma pequena estrada de terra. No meio do caminho
enfrentaram uma forte chuva que os impossibilitou de seguir viagem,
obrigando-os a permanecer neste pequeno vilarejo conhecido como
Vieira. Foram hospedados por Antônio Custódio, um comerciante
local. Ali permaneceram por quatro dias, ficando encantados com a
hospitalidade do povo, além da belíssima vista das montanhas que em
muito lembrava sua terra natal. Através do corretor Anfrísio Pedro
da Costa adquiriram uma área de terra. Os Vogts decidiram então
construir um hotel e deram a este o nome de São Moritz _ em
homenagem a Saint Moritz, uma aprazível comuna no Cantão suíço
dos Grisões.
Funcionários
do Hotel São Moritz, ao lado direito a primeira proprietária do
hotel.
O hotel, de dezesseis
quartos, foi inaugurado em oito de janeiro de 1944, com uma corrida
de cavalos no seu entorno,conforme tradição em
sua Saint Moritz natal, e com presença do militar e político
Ernani do Amaral Peixoto.
Nos primeiros anos, o
São Moritz tinha um público composto de estrangeiros,
principalmente, moradores da cidade do Rio de Janeiro, que fugiam do
quente e úmido verão carioca, permanecendo por semanas. Desde essa
época o hotel já recebia estrelas _ como a soprano alemã Erna Sack
_ sempre recebidos com fidalguia pelo casal Vogts, que morava no
hotel, e hoje conhecido como Chalé A.
História de Vieira_ Como surgiu esse Terceiro Distrito
Jacinto Garcia de Queiroz
Nos anos de 1830 ou
1835, morava um caboclo de sobrenome Vieira que fazia tratamentos com
ervas medicinais para pessoas doentes. Então quando tinha alguém
enfermo, dizia-se: “Vamos lá no Vieira que ele cura!” E esse
nome foi se rotulando nesse local.
O distrito de Vieira
começa na Ponte da Formiga seguindo em direção ao Alto do Felício
Pinto, como era chamado, hoje Alto de Vieira, na divisa de
Teresópolis com Nova Friburgo. Numa extensão de nove a doze
quilômetros mais ou menos. Ao norte fazendo rumo com Sumidouro,
Fazenda São Bento; ao sul Boa Vida e Bonsucesso; ao leste fazendo
divisa com Nova Friburgo; e ao oeste fazendo divisa com Santa Rosa e
Mottas; englobando aproximadamente mais de mil alqueires de terra.
Um dos primeiros
proprietários dessa vasta área de terra, chamava-se, segundo
contaram, Jacinto Garcia de Queiroz, que recebeu uma concessão de
terra extraída de uma sesmaria autorizada por João Luís Siqueira
de Queiroz, senhor com autoridade do Império para que pudesse
promover, desbravar, colonizar e desenvolver essa região inóspita e
um pouco selvagem.
Onde promovia o
desenvolvimento dessa região com sede na Fazenda Vista Alegre. Esse
senhor, Garcia de Queiroz, ao receber essa concessão veio a
construir moradia nos arredores de terras de herdeiros de Antônio
Custódio, ao norte do Rio Formiga distanciada da margem mais ou
menos trezentos metros.
O desmatamento teve
início nos arredores de sua residência descendo na vazão do Rio
Formiga até no restaurante Linguiça do Padre. Seguindo a leste, nas
margens do Rio Formiga, em sentido à nascente, acima do hotel São
Moritiz, ultrapassando um pouco a Praça Cruzeiro.
Ao decorrer dos anos,
ao serem divididas seguiram em outros ramais como Rua dos Ipês, hoje
Imperial, também Rua dos Canudos, seguindo em direção a São
Bento. Em sentido oeste, também Calado e Serra do Palmital, etc.
Lá pelos anos de 1870,
Vieira foi dividida para cinco herdeiros, entre os quais: Modesto
Garcia de Queiroz, Manoel Garcia de Queiroz, Antônio Garcia de
Queiroz e duas irmãs que venderam seus direitos e foram se
estabelecer na região de Nova Friburgo, na cidade e regiões de Bom
Jardim, segundo contam.
Ficando três da
família no local, a Fazenda Vieira ficou para Modesto Garcia de
Queiroz; Manoel Garcia de Queiroz, Fazenda Sertão; e Antônio Garcia
de Queiroz, Fazenda Palmital. E as duas partes que foram transferidas
para terceiros ficaram no sentido abaixo do restaurante Linguiça do
Padre até na Ponte da Formiga, seguindo na estrada da buracada, em
direção a São Bento fazendo vertente com Independente de Mottas.
Falando um pouco das
origens dessas pessoas desbravadoras, esse primeiro senhor que
adquiriu essas terras é de origem portuguesa e espanhola. Trouxe
consigo diversos escravos e famílias tradicionais hoje no nosso
local de sobrenome Francisco do Canto, Dias e Rosa. Pessoas com
habilidades construtivas e também cultura de ensinamentos como
professores. Um dos primeiros da família Canto a se estabelecer
nessa região foi o pai de Marcelino Francisco do Canto; onde deixou
muitos descendentes que entre as famílias Garcia e Canto tiveram
diversos enlaces matrimonias.
A segunda família
tradicional que veio a se estabelecer em Vieira e nas redondezas, lá
pelos anos de 1870, foi a Silva da Cunha. Vindo mais da região de
Nova Friburgo, de terras frias do Campo do Coelho, como era chamado;
que englobavam Fazenda Mendes da Veiga, Barracão dos Mendes, Salina,
São Lourenço e etc.
Pelos anos de 1890,
mais ou menos, vem se estabelecer em Vieira a família de origem
portuguesa, Custódio Corrêa.
Dessa época em diante,
diversas outras famílias de origem italiana, alemã, suíça,
portuguesa, espanhola, etc., foram adquirindo seu pedaço de terra
nessa região.
Na data de 1875,
aproximadamente, na região de Bonsucesso e Vieira, estabelecesse a
família Gallo, Baptista Granito, Dallia, de origem italiana. São
grandes os descendentes de todas as nacionalidades: Antunes Nogueira,
Araújo, Magalhães, Macedo, Cândido, Pereira, Rocha, Oliveira e
diversas outras.
Ao findar a primeira
metade do século dezenove foi criado um decreto n° 1270, de 28 de
dezembro de 1862, assinado pelo desembargador Luiz Alves Leite de
Oliveira Belo, fidalgo e presidente da província do Rio de Janeiro,
criando a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Ribeirão da
Sebastiana, no atual local de Venda Nova, pertencendo à Nova
Friburgo.
Terras de Sebastiana
passou a pertencer á Teresópolis em 17/12/1901, assinado o decreto
pelo governador Quintino Bocaiúva. Terras de Sebastiana englobava
diversas localidades, entre as quais: Vieira, Bonsucesso, entre
outras cercanias.
A partir de 1910 em
diante começou a surgir pequeno comércio em Vieira, através de
transportes em tropas de burros. Um dos primeiros comércios em
Vieira foi do José Corrêa Leitão, português que veio a se casar
com a viúva de Modesto Garcia de Queiroz. Iniciou estabelecimento em
Vieira onde transferido para seu sobrinho no futuro por volta de
1917, Antônio Custódio. Também existiu nos arredores do cemitério
de Vieira o comércio de Joaquim da Silva Cunha. Esse terreno do
cemitério que foi doado pelo mesmo para tal necessidade.
José Corrêa Leitão,
ao chegar em Vieira, sua atividade foi exclusivamente na agricultura,
no plantio de marmelo, batata inglesa, feijão, milho e etc.
Culturas, também, de subsistência e pequenas criações de gado e
vacas leiteiras. Também animais de cela entre os quais o cruzamento
de jumento com égua.
José Corrêa Leitão,
ao fazer uma viagem a Portugal, trouxe o jovem Antônio e duas irmãs,
Conceição e Amélia, onde no momento ficaram na cidade do Rio de
Janeiro. Chegando aqui no Rio de Janeiro, Antônio Custódio veio
visitar a fazenda de seu tio José Corrêa, onde encontrou sua prima
Petronílea, então começou o namoro; que no futuro se concretizou
em matrimônio.
Nessa época de 1917 em
diante, veio assumir uma parte da fazenda do seu tio, onde também
construiu o primeiro comércio em geral, usando o transporte através
de animais_ tropas de burros. Entre as viagens para abastecer seu
comércio viajavam para Sumidouro, Nova Friburgo ou à cidade de
Teresópolis. Um dos grandes incentivadores foi o José Francisco
Lippi, italiano, de Venda Nova, onde era um grande comerciante que
vendia muitos excedentes de mercadorias para Antônio Custódio. Daí
em diante, nas décadas de 1920 e adiante, foi prosperando o seu
comércio e fazendo o lugar crescer também. Vendendo de tudo um
pouco, dando crédito para aquela comunidade que até então não
tinha acesso a certas mercadorias. Esse comércio tornou-se e foi
vigoroso até 1966, época em que foi transferido para terceiros.
Vista
panorâmica de Vieira, Pedra do Cadeado, que foi traduzido para o
nome de Calado, Vieira.
Então podemos concluir
que um dos marcos iniciais desse distrito de Vieira foi o português
Antônio Custódio, que influíra no desenvolvimento da região.
Tivemos Vieira antes do
Hotel São Moritiz quando se falava: “Vamos passar na localidade
daquela fazenda Vieira.” E depois, 1944, ao ser concluído o hotel,
falava-se assim: “Vamos passar lá em Vieira onde tem aquele
majestoso Hotel São Moritiz.”
Contando um pouco sobre
o Antônio Custódio, na época da Segunda Guerra Mundial, as
dificuldades eram imensas em todo o país; não havia trabalho para o
sustento de muitas famílias, esse senhor com a sua hábil
administração, promovia frentes de trabalho para abrir estradas
vicinais no intuito de chegar as demais localidades: Boa Vida,
Fazenda São Bento, Estrada da Buracada... E com isso ajudava na
subsistência de famílias carentes.
Através desta história
relatada, contada por descendentes do mesmo, vem provar a bondade e
perseverança desse personagem que temos por obrigação, em memória,
homenagear esse grande homem de fibra.
Outros personagens de
Vieira que ajudaram a crescer e desenvolver esse distrito:
Arthur Garcia de
Queiroz, fazendeiro, filho de Manoel Garcia de Queiroz (capitão da
guarda nacional na época do Império).
Antônio Garcia de
Queiroz, irmão de Manoel G. de Queiroz e Modesto G. de Queiroz.
Deixou uma prole de dezesseis filhos. Veio a falecer no dia
16/09/1933, aos oitenta e seis anos.
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